
Roubo versos
desavergonhadamente
como quem toma emprestado um lápis do colega
como quem quer escrever rabiscos pela vida afora
mas não tem apontador

Xará de Meireles, Cecília, e o que não posso esquecer de comprar para o “gurizinho”, leite. Foi assim que fiz para não esquecer esse nome, Cecília Leite. Havia acabado de escutar “já me basta” na rádio, eram 18:30, estava voltando pra casa e escutando a FM Cultura. Realmente essa música me chamou a atenção, “vocês acabaram de ouvir Cecília Leite, de Bruno Batista, já me basta”. Pensei, que cantora é esta... e quem é esse compositor... 

(*) com esse texto estréia no blogue o meu amigo e colega de lides quintafeirísticas Miguel Grazziotin. Que mande sempre seus textos pra cá. Benvindo, Miguelito.
meu amor eu te quando
meu amor eu te ontem
meu amor eu te claro
meu amor eu te tanto
meu amor eu me calo
meu amor eu me canto
meu amor eu me falo
meu amor eu me imanto
meu amor eu te quase
meu amor eu te noite
meu amor eu te vaso
meu amor eu te ponte
meu amor os teus montes
meu amor eu inalo
meu amor teus flagrantes
meu amor eu te antes
meu amor te permeio
meu amor eu te planto
meu amor eu me seio
meu amor eu te arco
teu amor te emana
meu amor eu te marco
e tu me adriana
Fotografia: Henri Cartier Bresson - FRANCE. PARIS 1968. Boulevard Diderot.
© H. C. BRESSON/MAGNUM PHOTOS


ofereço-te o destino dessa flor, esse antebraço
com outra flor ainda não trazida,
de onde flora lenitivo um vaso.
nas mil e uma noites do dia vinte e nove,
meu torso de perfil – aceita e prova -
meu te ofegar sob a melhor camisa
e o cordão de estrelas no nanquim do espaço.
toque de leve por sobre a blusa na noite tua
fala de dedos, luva difusa, seda de luna
pra que floresçam, apascentadas, duas verbenas.
uns instantâneos eu te ofereço
do coração.
(*) toma, minha pequena, aceita e prova deste coração que apascentaste.

O TEMPO NÃO FOI CURA PARA TUA AUSÊNCIA
MAS INEVITAVELMENTE
FOI PRODUZINDO SEUS EFEITOS COLATERAIS
ÓXIDO DE FERRO EM MINHAS VEIAS
ALOPECIA
CABELOS BRANCOS
O REVÉS DO TEMPO
PRESCRITO POR DEUS
TEM TARJA PRETA
É MEDICAÇÃO FORTE
ELEGIA DA VIDA
CURA ANTIGA
...MORTE


Sei que a maré não ta boa
MEU CORAÇÃO É O VIOLÃO DE ESPANHA
Poema de Paulo César Pinheiro - Gravura de Heitor dos Prazeres





Foto: Hiroshi Watanabe, Equador, 2003

'(...) Os filmes de Woody Allen são uma família a que se pertence: ninguém deseja mudanças radicais ou desaparecimentos radicais. Desejamos apenas que seja outono lá fora e que as histórias, conhecidas e até repetidas, sejam embaladas por um fio de jazz.'